Parecia um dia como outro qualquer... Da porta de entrada se sentia o perfume do café que só ela sabia fazer tão bem.Suave perfume da minha infância, que só agora percebo, tão querida. A ele se juntava o cheiro do pão levemente tostado, do leite recem fervido.
Na mesa, tão grande na minha lembrança,pequena para quem a observa com olhos adultos, estava sentado o meu avô.
Senhor na idade, senhor absoluto na atitude.Seus olhos azuis pareciam existir só para suavizar todos os outros traços do rosto que embora bonito,se impunha demais em qualquer situação.
Comia calado. Tambem calado estava a seu lado, uma miniatura sua, fiel demais para ser de verdade.Herdara tudo do pai: os mesmos olhos, a mesma beleza, e a suavidade cujo único traço estava no azul.
Minha avó talvez não percebesse que eram os dois tão calados; se sabia, disfarçava muito bem a gorduchinha.Tamanha era sua vivacidade e sua energia que preenchia todos os espaços vazios dos caladões.
Ela estava presente ao mesmo tempo em todos os ambientes daquela casa. Não fosse o seu corpo, estava o seu aroma, o seu gosto, a sua escolha. Misturava sua atitude aos tachos de cobre espalhados pela casa afora.Ela brilhava junto com o cobre que era esfregado semanalmente com limão e sal.
As tres outras filhas do casal dormiam no quarto nos fundos da casa.Eram pequenas demais para estarem presentes àquela mesa, naquela manhã.
Ao teminarem o café, pai e filho, calados , saíram para o trabalho.
Minha avó também apenas começava o seu, interminável. Não me lembro de vê-la muitas vezes em minha vida, sem estar trabalhando em alguma coisa. A propriedade era grande e ela não tinha grande ajuda.
Meu avô, além de muitas plantações, tinha uma olaria.
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